A Sociedade de Gestão do HCVP
Estrutura Accionista: 54,97% Cruz Vermelha Portuguesa & 0,03% Pequenos Accionistas
45 % Parpública
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Resultados Líquidos |
Passivo Global |
Endividamento Bancário |
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2014 |
0,43M€ |
27,8 M€ |
15,0 M€ |
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2015 |
0,4M€ |
27,5 M€ |
17,4 M€ |
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2016 |
-1,6M€ |
31,0M€ |
20,9 M€ |
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2017 |
0,85M€ |
33,0 M€ |
22,7 M€ |
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2018 |
-0,2M€ |
34,8 M€ |
23,4 M€ |
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2019 |
- 3,8 M€ |
43,6 M€ |
28 M€ |
A Sociedade de Gestão do Hospital CVP, nos últimos 6 anos:
1. A soma dos Resultados Líquidos da Sociedade de Gestão do HCVP totalizou perto de 4M€ negativos;
2. O passivo aumentou perto de 16M€;
3. O endividamento bancário aumentou 13M€.
Atendendo à degradação da situação económico-financeira da Sociedade, acima espelhada e à necessidade urgente de significativa injecção de capital, tem sido amplamente discutida no seio dos órgãos sociais nacionais a estratégia a seguir. Neste quadro, desde o Verão de 2019, colocou-se a oportunidade de venda das acções de que a CVP é titular à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no sentido de ampliar as respostas do Sector Social em Saúde na Grande Lisboa através da continuidade do funcionamento do Hospital.
No entanto, a CVP entende necessário a observação dos seguintes dois princípios na operação:
1. Não haver impacte negativo nas contas da CVP;
2. Concretizar a venda a preço justo de forma a reflectir o valor real do activo.
Para tal, quer o comprador quer os accionistas vendedores, acordaram definir o valor real das acções com base em nova avaliação técnica, independente, a decorrer no mês de Junho de 2020.
Motivações da CVP para sair da Sociedade de Gestão do HCVP:
a) Quebra de produção / concorrência privada muito forte
Nos últimos anos, o Hospital da CVP tem sofrido enormes quebras da produção, decorrente da forte concorrência do mercado privado. Grupos como a CUF, TROFA Saúde, Lusíadas e Luz (FOSUN) têm investido em unidades modernas e com as vantagens decorrentes de gestão consolidada, muito fortes, junto dos clientes privados e com acordos firmados com todas as seguradoras.
b) Necessidade de investimento por parte da accionista CVP
O Hospital da CVP, embora considerada uma Unidade de excelência ao nível dos resultados da qualidade da produção, carece, por ser uma estrutura hospitalar antiga, de fortes investimentos para a sua modernização. Ora, o accionista CVP não tem capacidade económico-financeira para tal.
c) Elevado nível de endividamento do Hospital da CVP
A quebra progressiva da produção, bem como as dívidas acumuladas de alguns clientes, nomeadamente o Estado, têm obrigado ao recurso sistemático ao financiamento bancário e, portanto, ao aumento dos níveis de endividamento e encargos financeiros daí decorrentes, determinando um passivo bancário em 31/12/2019 que ascende a cerca de 28 M€.
d) Impacte dos resultados do Hospital na CVP nas contas da CVP
1. Na qualidade de accionista da Sociedade Gestora em 54,97%, vê reflectido os resultados líquidos desta nas suas contas e que no imediato significarão 2,2 M € Negativos (face ao Resultado Líquido de cerca de 4M€ NEGATIVOS apurados no exercício de 2019 do HCVP). No histórico dos últimos 13 anos, a CVP (em que o nível de abrangência da consolidação é de 100% do universo), nunca apresentou resultados negativos;
2. No relacionamento com os players, nomeadamente com o sector bancário, a apresentação de resultados negativos trará sérias e fortes dificuldades de relacionamento, quer com a manutenção das atuais linhas de financiamento, quer com o aumento para novos investimentos, quer sejam grandes investimentos, quer sejam pequenos investimentos, como a compra de viaturas. Esta consequência é transversal a toda a rede CVP, dado que a análise é feita por NIF (que é o mesmo para todas as estrutura, Delegações, Centros Humanitários e Organismos Autónomos);
3. Um dos maiores activos imobiliários da CVP não gera, actualmente, qualquer rendimento. Apesar de estar negociada uma renda pela exploração, na maioria dos meses não é paga, por falta de liquidez na tesouraria do Hospital da CVP.
O Conselho Supremo
1. Nota que as dificuldades apresentadas pela Sociedade de Gestão Hospitalar, S.A., não são de agora, havendo uma degradação da sua situação financeira ao longo de vários anos;
2. Regista que a operação descrita não inclui a alienação do terreno urbano e das suas edificações;
3. Não se descortinando soluções internas, considera-se que a viabilização da Sociedade de Gestão Hospitalar, S.A., poderá ser encontrada pelo recurso a entidades terceiras;
4. Não se opõe, como princípio, à alienação do capital social da Sociedade de Gestão Hospitalar, S.A.;
5. Valoriza a alienação do capital social da Sociedade de Gestão Hospitalar, S.A., ao Sector Social, mantendo as referências históricas da missão do Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, considerando-se a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa um importante actor no Sector;
6. Pretende que o nome Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa seja mantido por quem assuma a participação social da Sociedade de Gestão Hospitalar, S.A., também pelas referências históricas anteriormente referidas e que são valorizadas;
7. Aguardará o resultado da avaliação técnica independente e a análise do “Acordo de alienação” a apresentar pela Direcção Nacional da Cruz Vermelha Portuguesa, onde se espera que sejam reflectidas as observações anteriores, para emissão do seu Parecer final;
8. Nos termos das alíneas g) e i) do artigo 28 dos Estatutos emite Parecer favorável ao prosseguimento das negociações conducentes à operação de alienação das acções correspondentes a 54,97 % da Sociedade de Gestão de que a CVP é titular, tendo em atenção os pressupostos acima enunciados.

